08/03/2018
Clínica Psicológica e Educacional
Narcisismo: o drama das pessoas que pensam ser melhores que as outras
 


Quando deparamos com pessoas vaidosas e prepotentes, aquelas que sustentam um certo ar blasé de superioridade, e que desprezam o mundo como se ele não as merecesse, tendemos a antipatiza-las. Geralmente chamamo-as de narcisistas.

Narcisismo é uma palavra derivada do nome Narciso, um personagem da Mitologia Grega que nos foi apresentado pelo poeta Ovídio. O Narciso mitológico era um jovem tão bonito, mas tão perfeitamente bonito que, certa vez, ao ver sua própria imagem refletida nas águas de um lago, apaixonou-se, a ponto de atirar-se dentro dele para pegá-la, e então, morrer afogado.

O motivo mítico tem tudo a ver com tais pessoas, uma vez que elas parecem apaixonadas por si mesmas. Mas a surpreendente verdade é que elas podem estar, psicologicamente, bastante comprometidas pelo Distúrbio de Personalidade Narcisista.

*** Pessoas diagnosticadas pela psiquiatria como narcisistas, são identificadas por:

– Revelarem-se portadoras de um padrão de grandeza que as faz crer superiores aos demais,

– Requererem constante atenção e admiração,

– Serem supersensíveis à avaliação alheia (são melindrosas),

– Carecerem de empatia (têm capacidade reduzida de colocar-se no lugar do outro) e

– Serem egocêntricas (todas suas preocupações giram em torno de si mesmas).

Quando criticados, os narcisistas sentem-se vítimas da inveja e da incompreensão. Porém, quando acolhem críticas (neste caso o crítico deve ser alguém considerado extremamente importante), afetam-se como se fossem as criaturas mais abjetas e desprezíveis do planeta (afinal, eles têm que ser o máximo e, se não podem ser Deus, que sejam pelo menos o Diabo!), caindo em profunda exasperação.

Por mais que gerem aversão, pessoas narcisistas são, na intimidade (que frequentemente eles mesmos desconhecem/negam), extremamente doridas. Sentem um profundo vazio existencial. A Psicologia em geral afirma que muitas delas tiveram infâncias marcadas pela carência afetiva, e foi isso que as fez acreditar que, para serem amadas, precisam ser alguém acima da média: o primeiro da classe, o campeão de arte marcial, o goleador no futebol, o vencedor de todas as disputas…

Infelizmente, a maior parte dos narcisistas não procura psicoterapia, porque eles acreditam-se bons demais para isso. Se procuram um terapeuta, é por conta de uma depressão cuja causa não identificam. Neste caso, escolhem o profissional mais afamado, que é, na sua convicção, o único que poderá lhes ajudar. E quando começam o tratamento, tendem a exigir que o terapeuta siga as suas próprias determinações de como deve ser a feita a psicoterapia.

Por tudo isso, é muito difícil ajudar pessoas assim, pois elas parecem entrincheiradas. De fato, elas estão, e o muro que criaram em torno de si mesmas foi uma medida de proteção. Ainda crianças, começaram a construção de sua fortaleza de qualidades, vitórias e destaques. Nunca mais pararam. Quem está fora (quase todos) dos muros da petulância, acreditará tratar-se de excesso de autoestima, mas quem conseguir entrar, descobrirá a menina ou o menino que sente muito medo de ser descoberto na sua fragilidade e abandonado pelos pais. Paradoxalmente, autoestima é o que mais falta à pessoa que acredita precisar ser melhor que as outras. É por duvidar da possibilidade de ser amada incondicionalmente, que ela procura nos outros a admiração que não sente por si mesma.

Narcisistas precisam resgatar sua criança ferida, que foi levada a descrer no próprio valor imanente e que ainda hoje está fazendo tudo para conquistar afeto, enquanto, sem que entenda o motivo, afasta todos de si. Precisam olhar essa criança interna nos olhos e compreender que ela merece todo amor do mundo, não porque é especial, mas porque é simplesmente ela. Afinal, o segredo da felicidade está em perceber a maravilha das pequenas coisas, dos gestos insignificantes que não nos fazem mais nem menos que ninguém, mas que revelam nossa condição de agentes da natureza. Cada um de nós é, na essência, mais uma das belas oferendas da vida ao mundo!
Fonte: Por Caroline T.
 
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